do cativeiro que se cativa

com apuro metódico e cuidadoso,
burilo uma ideia
que se transforma, toma forma
e cuido para não ir para fora

é que tenho medo de perder, que me roubem,
mesmo sem querer
e fico eu, aqui, com minha obra
e o outro, ali, com sua obra

como revelar minha construção?
é melhor pedir para o outro lavar as mãos,
melhor! prender as mãos,
suspender a respiração.

um cubo branco, asséptico,
limpo e hermético:
eis, da obra, locação!
– ou seria uma internação?

morada de ideia que lembra hospital…
estaria doente a ideia, afinal?
minha ideia numa maca, em coma
a ideia do outro, em fase terminal

[antes as obras fossem cobras
que serpenteassem pelo local
e se encontrassem, libertas,
para reconstruir o final]

(ASM)

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