Zen. (A)na. Mediação.

Mediação. Depois de dois meses de trabalho, minha mediação ficou mediana. Medio a “Ana”? Mon dieu!

No início era novidade, e o cansaço, presumo, transitou repetição. Presunto de mim.

“Un soldado, por ejemplo, al ver sobre la arena las huellas de un caballo, pasará inmediatamente del pensamiento de un caballo al de un jinete, y de ahí al de la guerra. Pero un campesino pasará del pensamiento del caballo al de un arado, un campo, etc.; y así cada uno pasará de un pensamiento a tal o cual otro, según se haya acostumbrado a unir y concatenar las imágenes de las cosas de tal o cual manera.”

Baruch Spinoza, Ética (In: envelope da obra 173, “Donde Todo Está Dos Veces”, 2007, de Eugenio Dittborn)

Vagabundeei na minha execução, a vigilância vacilou. Passei a mediar através de ideias fechadas, ainda que tenham se formado pelo fluir. Passei a ver os grupos como massas uniformes, não mais como ingredientes heterogêneos. Naufraguei. Catástrofe!

Catástrofe é um dos temas nas Pinturas Aeropostais de Eugenio Dittborn. Repetição, também. Passar, só se for em relação a transitar. O que não pode é passar com ferro. As dobras precisam estar lá, senão a viagem fica interrompida. Viagem interrompida, no entanto, também é tema recorrente.

Fragmentação. Fragmentei a experiência, Refém da minha própria fragmentação.

Como disse Eugenio Dittborn, “ver uma pintura aeropostal é ver entre duas viagens”. Origem e destino se confundem.

Para retomar a viagem, é preciso desertar de mim mesma. A mediação há que transitar pela meditação. O “t” que ingressa na “mediação” é de transitar. Praticar o Zen através da mediação: a repetição como se fosse algo sempre novo, a presença da abertura ao novo, a curiosidade. Mais do que a nova idade, a curiosa idade. Esta nunca envelhece, nem enrijece. Porque estudar o zen é estudar a si mesmo. Estudar a si mesmo é esquecer a si mesmo. Esquecer a si mesmo é estar uno com todos os seres.

“Las pinturas aeropostales tienen algo del Zen, por su elegancia y economía de medios (hacen algo a partir de casi nada), y por emplear en su favor redes preexistentes de energía y poder.”

Guy Brett, Nubes del Polvo (In: envelope da obra 107, “La XVII Historia del Rostro”, 1993, de Eugenio Dittborn)

Estar uno com todos os seres é fluir.

Nesta exposição, fui o Vagabundo, o Náufrago, o Refém e o Desertor.

Quantas viagens entre viagens.

Quantos desdobramentos em meio a tantas dobras.

(ASM)

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