Sem gato gago, é Bach no cravo!

Semana passada, o cravista Fernando Cordella compartilhou um evento na vida de J.S.Bach que me fez refletir bastante. A historinha é mais ou menos assim (com toda licença dramática que eu me permito, rs):

O Bach, novucho, era tri fã do trabalho de Dietrich Buxtehude. Bach ficou sabendo de um último concerto do músico, que já tava velhão, e pensou “bah, certo que eu tenho que ir!”. A distância dali até Lübeck, na Alemanha, equivale a mais ou menos a de Porto Alegre a Torres.

E Bach foi.

A pé!

Chegou lá na hora do concerto. Assistiu e depois conseguiu conversar com o Buxtehude, que pediu para ele improvisar um pouco e o Bach, danado que só, arrebentou a boca do balão. Bom, o cara (considerado um dos maiores do período barroco alemão) ficou absurdamente encantado com o virtuosismo do guri.

Como os empregos eram herdados naquela época e Buxtehude tava pendurando os dedos, Bach foi convidado na hora para assumir seu cargo de gerente geral (Werkmeister) e organista.

E assim, era o MELHOR emprego que um músico poderia querer naquela época.

o MELHOR salário

a MELHOR orquestra

o MELHOR lugar para se estar

Beleza, né?

Tá, daí o cara convidou o Bach para dormir lá, não ia fazer o guri voltar tudo a pé. Enquanto eles acertavam o contrato, veio uma condição.

Para assumir o cargo, Bach teria que se casar com a filha dele.

No dia seguinte, Buxtehude foi ao quarto que Bach estava alojado e só restava uma janela aberta, o guri fugiu que foi um risco! hehehe! Parece que, tempos depois, Haydn passou pelo mesmo processo. E a rapariga continuou encalhada e o o cargo em aberto.

O que eu mais fiquei pensando sobre tudo isso foi: Bach não se permitiu iludir com um destino que, parecendo o melhor, diminuía sua integridade interior. E nem ficou de mimimi, essa coisa de gato gago, foi logo embora daquela enrascada. Mesmo tendo caminhado tanto para chegar lá!

Não é para onde se vai, mas a consciência de que se é capaz de andar! Assim, ele pôde caminhar de novo ^^

E bah, era o Bach!

Sem gato gago, é Bach no cravo!

(ASM)

O que é grande no homem é ele ser uma ponte e não uma meta. O que se pode amar no homem é ele ser uma passagem e um declínio.

Friedrich Nietzsche, “Assim Falava Zaratustra”.

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