em canto suspenso

tua presença em neblina
atrás da colina
me conforta

ver-te com nitidez grava minha retina
sou tudo, menos memória

e nada mais posso ser
a não ser
pulso

(ASM)

guardião da vontade

e ele fica lá no cantinho
com seu perverso sorriso lindo
que eu procuro sem hesitar
e perco a respiração ao encontrar

numa maré de viver e morrer
não posso ancorar no que fui buscar

as mãos tensas
os sorrisos em ilhas
a conversa latente
convites ao impedido tocar

com tanto sol entre a gente
e só me resta o olhar…

(ASM)

geometria sagrada do amor clichê

em uma declaração clichê
a poesia se teceu sem eu perceber
os acordes do sorriso
o amor sem títulos
e a proporção áurea deve ser
o espaço Entre
eu e você

(ASM)


animação via Smellycat

o meio na ação

o sorriso em cada acolhida
faz da lida um prazer
que eu desconhecia

o diálogo, a conversa e a arte
e a ciência estampada
numa antiga estofaria

a luz que vem de dentro
convida ao assento
mesmo que a exposição não permita

o sorriso em linhas de fuga
poéticas em deriva
e o agito em suspensão

a doce essência na arte-educação
que muitos chamam de mediação
é perceber no outro a presença

dialógicas do coração

(ASM)

SUS.pense

em suspensão
da preocupação do tempo,
a ocupação total do tempo

em suspensão,
a racionalização

o corpo aterra e enraiza
o vazio preenche como água fria
de uma chuvinha fina

em ação,
a reflexão

toda atenção no corpo presente
toda doçura no, em si, ente
discente prática docente

(ASM)

*
das reflexões que a exposição “Em suspensão” de Rafael Pagatini me in.cita

no Santander Cultural, Porto Alegre/RS, até 12 de agosto!