Leveza que é levedo

As fibras que formavam outras linhas em outra vida se realinham e tecem o papel, que por si só se reteceu: o que já foi do papiro, hoje é da celulose. E as células de nosso corpo também formam fibras que se realinham e se dobram, desdobram. Sem contornos, mas tornos.

Dobraduras que são leves, porque é assim que o papel é. É papel do papel ser leve e levar-se. Pois o que criamos nos cria. É papel do papel que dobro ensinar-me a me desdobrar e deixar o vento levar. A dura dobra foi a negação da arte, a privação da alma da própria vida. Era eu de cor chumbo-cinza.

E fui eu Teseu, que entrou no labirinto e a arte lhe teceu o caminho. Passei os meus dias no colorido daquele cubo branco. Daquelas velas brancas. Tantas Ariadnes quanto eram as linhas e os fios dos que conheci. Me colori.

E na curadoria coletiva da arte-educação aprendi a sorrir. Propostas generosas para a imersão do infinito interior. A GravidArte que nos engravida de arte; o parto que gera e parte. E congrega.

Esta alegria não faz explodir,
faz o espaço em mim
expandir.

O papel dobrado que viaja pelo ar. O corpo desdobrado cujo ar colore o pulmão. A geopoética que nos permite a experiência singular e ao mesmo tempo coletiva. Marcas em meu corpo dos olhares que celebraram com minha alma de uma forma generosa que ainda não aprendi a retribuir.

Que dádiva é se relacionar, conversar de alma para alma. Estou leve como o papel. E cheia de marcas.

Origami de alma.

Alegria desdobrada.

(ASM)

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Finda, ação Querer Amargo

chega de Amargo,
chega de Cinza

eu quero partir, rasgar o labirinto
abrir janela e viver colorido

(ASM)

instante

trabalhar em livraria
permitiu descobrir em vaidade
minha autoria

livros lidos, reconhecidos
na estante

conhecimento que vira argumento
ao amigo distante

sem pensamentos discutidos
apenas sumários de julgamentos
pretensos

pretextos.

(ASM)

p/eles

me apaixonei pelo simples fato de, ao inevitável, não oferecer resistência…
não me encantar seria ludibriar a própria existência!
e dali eu desisti, mas só da paixão:
na realidade persisti,
sou solidão.

(ASM)

*

expirações de conversas com Barbara Nicolaiewsky

tornas ao lado

vens a mim, voz em nuvem…
somos blues, que em sedução
ilude, e jazz em mim
dance me to the end of love…
vi que és ventania
só no centro, calmaria

(ASM)

ao esnobe, chimarrão!

como me engano com feições isibidas…
me sinto agredida, engulo conversa
sem perceber em seus corações as feridas!

(ASM)

maresia

o poeta rima com o poema
pois prefiro ser uma poetiza
e rimar com liberta poesia

(ASM)

*
inspiração na conversa com Víctor Geuer ao pé do labirinto, pelo por-do-sol, colorido.
=]