Ponto Cego

É preciso a poeira
a beira
a interferência

É preciso a poesia
a mistura
a intermitência

Para enfim se ver
o que nunca se viu antes

(ASM)

uahhh…

é confortável ver o que já se vê
e como é chato!
que mesmo o sonho, repetido,
faz bocejar o adormecido

(ASM)

ou|vi

Entre Arte e Geografia há tanta sintonia
que me calunio ao escolher entre uma ou outra

Que porcaria é a alusão à dicotomia!

Grita-me então Zaratustra
no meio de minha gagueira emotiva:

“Terei de principiar por lhes arrebentar os ouvidos para que aprendam a ouvir com os olhos?
“Terei de tocar címbalos e gritar como pregadores de quaresma?
“Ou só acreditarão no que consegue dizer o gago?

E ou.vi:
No Entre Geografia e Arte há Sinfonia.

(ASM)

Da cor, ação

Plateia que chega pelas veias,
amor que verte feito rio
Veias correm ao átrio,
palco deste assovio

E é tanto amor a pulsar
que o coração passa a doer
Um blues a tocar
no vazio do ventrículo, a esperar

Segue, em artéria
a matéria de que é feito o amor
E distribui o rubro licor
a navegar pela aorta, minha horta

(ASM)