sons de soul

às vezes o sonho se cansa
e é então quando se deve apurar o olhar
para, o foco, não hesitar

e voltar à dança

(ASM)

cena de "Gake no Ue no Ponyo"Studio Ghibli, 2008
cena de “Gake no Ue no Ponyo”
Studio Ghibli, 2008

A curva do rio

Sorriso que é horizonte,
curvo na fonte!

E eu já sorrio quando o fim ainda está distante
porque a jornada toda me encanta…

E meus lábios percorrem o sorriso
daquela alma que sorri para si e adiante

E sentam
E se assentam
E beijam

E os olhos cantam

(ASM)

geometria sagrada do amor clichê

em uma declaração clichê
a poesia se teceu sem eu perceber
os acordes do sorriso
o amor sem títulos
e a proporção áurea deve ser
o espaço Entre
eu e você

(ASM)


animação via Smellycat

Escravos de (dese)Jó

A geopoética em sala de aula de ontem foi muito interessante. Brincamos de “Escravos de Jó”, uma interessante brincadeira para experenciar atenção, ritmo, coletividade. No clima “Tênis versus Frescobol” a la Rubem Alves (belo texto aqui), os estudantes perceberam o quanto a falta de cooperação e, principalmente, o descuido com o outro (atenção que deveria ser consigo dispersada ao próximo, vulgo fofoca) atrapalha.

Começamos manufaturando as peças do jogo: balão/cubo de origami, modelo tradicional:

Uma das vantagens deste modelo é sua relativa facilidade de execução, além do quesito poeticamente “mágico”, o sopro. Dependendo do grau de perseverança de cada um, a vontade de desistir aparece, especialmente no passo 11. Aí vem outra vantagem, que é o de exercitar o encorajamento, pois com cuidado e atenção, todos conseguem fazer. Outra vantagem é a fragilidade do objeto, ao final.

Após cada um montar o seu cubo, sentamos em roda em uma grande mesa (poderia ser no chão, também). Revelei, então, que o jogo era este:

Mesmo com uma turma tão querida, as dificuldades logo apareceram. O que foi ótimo! Cada um pôde experenciar o fracasso do egoísmo e da fofoca (quando se preocupavam em julgar “quem errou”, ao invés de se preocuparem com a própria importância na roda), pois no fundo a vontade era de que a roda rodasse. Escravizados pelos seus desejos inconscientes (manipulados pelo ego), adiavam suas vontades despertas. Cada um era o próprio cubo, com vontade de ser esfera. Levamos a tarde toda para aperfeiçoar as arestas.

O Grito (“Skrik”, 1893), de Edvard Munch

Quando o tumulto aparecia, eu me afastava da roda e aguardava. Aos poucos, eles se acalmavam. O que eu percebi foi o comportamento automático, o hábito da briga. O hábito é uma ação não consciente, um dormir acordado. O meu silêncio funcionava, mas às vezes era preciso chamar suas atenções para o momento presente, para o acordar consciente. O grito funciona. Mas às custas das minhas cordas vocais e dos tímpanos alheios! Então, no fim, não funciona. Se alguém souber de uma forma de convidar (e não impor) as pessoas ao momento presente, fico muito grata pela informação!

Entre as primeiras tentativas, o intervalo (recreio) e o fim da experiência, conversamos sobre os conflitos territoriais envolvidos. A brincadeira não teve êxito, mas a experiência geopoética foi além das expectativas! Conversamos sobre o cansaço mental, a dor de cabeça com tanta gritaria, a impaciência com o outro e a necessidade de respeito (por enquanto, no âmbito da tolerância). Aqueles que se retiravam, no aguardo do retorno ao respeito coletivo, experenciaram a provável angústia do orientador/professor. Foi fascinante!

E a experiência foi fascinante para mim, pois, ao me retirar, consegui não abandoná-los. Apenas aguardava. Não me estressei. E quando eles conseguiam ficar presentes, continuávamos juntos. Nos momentos mais críticos, conversamos sobre o estado dos frágeis cubos de origami. Estavam amassados, feridos, desconfigurados. Um fiel retrato do estado de nossa coletividade :)

A brincadeira tem ainda mais dois níveis de dificuldade, que é fazer a roda e cantarolar (sem letra, mas com as mesmas orientações) e também em silêncio. Quem sabe numa próxima!

Vida longa e próspera!

(ASM)

vinculação é terna.

“És eternamente responsável por aquilo que cativas”, disse a raposa para o pequeno príncipe¹. Esta frase foi bem difícil para uma geminiana como eu entender, especialmente nas fases de maior vitimização. A forma como eu encontrava de me acolher era me vitimizando, convencendo-me de que eu estava isolada, sozinha. E, assim, fui irresponsável com os vínculos que estabeleci.

Para começo de conversa, geminiano nenhum consegue ficar sozinho e isolado, a não ser por uma ilusão. A gente já vem em dupla. Mesmo sendo a irmã não-gêmea de gêmeas, sou geminiana. O meu gêmeo veio dentro de mim, não tem como escapar. Todo isolamento, portanto, é pura ignorância minha comigo.

Para meio de conversa, sempre estive no meio de muita gente. A ilusão da solidão estava tão grande que precisei me esforçar para lembrar desse fato. O que a ilusão da solidão me fez foi ser irresponsável com os vínculos que estabeleci. E, ainda assim, sempre tinha gente nova para conhecer. E novos vínculos que eu descuidava.

Para continuação de conversa – geminiano tem uma dificuldade de finalizar uma conversa… -, fui irresponsável comigo, com o que me cativa em mim. Porque, para ser vítima, é muito mais eficiente ser uma negação em tudo, né? Sem cultivar o vínculo comigo, o vínculo com os outros seguia o mesmo rumo.

Mais do que eternamente, somos ternamente responsáveis pelo que cativamos. Uma querida amiga está em alto mar descobrindo o quanto ela é boa companhia para si, assim como outro querido amigo em terra firme. E ao perceber o quanto posso ser boa companhia para mim – isso é sempre uma escolha -, percebi o quão valiosos são os vínculos que cativei.

Aí fica mais simples cultivar com ternura o que foi cativado.

O que pareciam espinhos saindo da minha pele em tempos de ilusão, eram espinhos mesmo. Mas as rosas sempre estiveram lá. O óbvio pode ser muito cliché. E continua sendo matriz.

Como sempre lembra outra querida amiga, “os ursinhos carinhosos estão aqui pra ajudar” ^^

(ASM)

*

com ternura para todos, com gratidão para a Karina, o Tiago e a Jana.

Nodame Cantabile by Tomoko Ninomiya (Anime com a direção de Kenichi Kasai)²

p.s.: um interessante texto sobre O Silêncio dos Índios³ veio bem a calhar, recomendo a leitura! e, assim, o silêncio ^^

_____

¹ SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O Pequeno Príncipe: com aquarelas do autor. Tradução de Dom Marcos Barbosa. 48ªed., 7ªimp. Rio de Janeiro: Agir, 2002.

² Imagem disponível em http://chadas22h.blogspot.com/p/galeria-obras.html. Acesso em 22 fevereiro 2012.

³ Texto disponível em http://avelf.wordpress.com/2012/02/05/o-silencio-dos-indios/. Acesso em 22 fevereiro 2012.

terrarama

mas o território é um safado!
brinca de oratório e arado
e deixa todo mundo ferrado

(ASM)

aqui, mora.dor

devo me mudar porque queres te entorpecer?
devo me mudar porque queres enriquecer?
devo me mudar porque queres…?

e a cidade fica cada vez mais baixa
com tantos insistindo em dizer
o que devo fazer

(ASM)

Poeminho do Contra (GEA-FURG)

GEA é abreviatura de Geografia (parabéns pelo dia!), mas neste caso é de Grupo de Estudos em Animação ;)

Vi aqui. Lindos trabalhos de Wagner Passos.