Tetis 10: Vocação acadêmica

Aqui no convento, a cada uma se dá a sua penitência, seu modo de ganhar salvação eterna. A mim tocou esta de escrever histórias: é dura, muito dura. Lá fora, é um verão ensolarado, do vale chega um vozerio e um rumor de água, minha cela está no alto e da janelinha vejo uma curva do rio, jovens aldeões nus que tomam banho e, mais adiante, atrás de uma moita de salgueiro, moças que, tendo tirado também a roupa, descem para tomar banho. Um deles, nadando debaixo d’água, emerge para observá-las e elas o apontam com gritos. Eu também poderia estar lá no meio, e em boa companhia, com meus jovens pares, algumas criadas e fâmulos. Mas a nossa santa vocação quer que se anteponha às alegrias perecíveis do mundo alguma coisa que permaneça. Que permaneça… se afinal também este livro e todos os nossos atos de piedade, executados com corações de cinzas, já não passam de cinzas inclusive eles… mais cinzas do que os atos sensuais no rio, que tremem de vida e se propagam como círculos na água… Começa-se a escrever com gana, porém há um momento em que a pena não risca nada além de tinta poeirenta, e não escorre nem uma gota de vida, e a vida está toda fora, além da janela, fora de você, e lhe parece que nunca mais poderá refugiar-se na página que escreve, abrir um outro mundo, dar um salto. Quem sabe é melhor assim; talvez quando escrevia com prazer não era milagre nem graça: era pecado, idolatria, soberba. Então, estou fora disso tudo? Não, escrevendo mudei para melhor: consumi apenas um pouco de juventude ansiosa e inconsciente. De que me valerão estas páginas descontentes? O livro, o vazio, não valerá mais do que você vale. Não há garantias de que a alma se salve ao escrever. Escreve, escreve, e sua alma já se perdeu.

CALVINO, Italo. “O cavaleiro inexistente”. Tradução Nilson Moulin. São Paulo: Companhia das Letras, 2005[2002]. p.61.

Tetis 9: Lugar para existir

por Camila

Desde criança lembro de ouvir muitas frases de efeito, dentre elas as que se referem ao lugar sempre me chamaram atenção, desde encontrar um “lugar ao sol” ou encontrar  nosso “lugar no mundo”. Sol é luz, luz é vida. Chuva também é vida, a vida veio da água que também está contida na chuva. Qual o problema de um lugar à chuva? O desconforto. Mas, o sol que brilha, que ilumina, dependendo do tempo de exposição pode tornar-se desconfortável e até perigoso. Mas, voltando ao lugar, a questão que mais me desperta curiosidade são os verbos que os acompanha: buscar, encontrar. Por que um lugar, por assim dizer, pronto? Perfeitinho e inerte, esperando para ser localizado. Se invés de ir ao encontro de um lugar ideal, cada um não firmasse um compromisso consigo em construir pouco à pouco o seu lugar? Mas um lugar  da existência que sempre estivesse conosco e que por onde passássemos fossemos compondo e recompondo conforme as experiências que vivêssemos. E que encontrássemos os lugares dos outros e que por certo tempo esses também fizesse parte do nosso. O lugar compõe-se de encontro, desencontro, reencontro, não exatamente nessa ordem. Mas, é movimento, é fluxo, é sensação, dúvida que vamos organizando para trazer sentido à vida. Expandir conceitos, decompor ideais e deixar-se afetar pela experiência – é urgência.

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Texto de autoria de Camilíssima, originalmente publicado em http://corpografias.wordpress.com/2012/11/16/lugar-para-existir/

Tetis 8: C.C. “Cela Corbusier”: a dialética do corpo e do espaço

por Camila

Ficha Técnica e Artística
Encenação, Dramaturgia, Espaço Cénico e Figurinos: Pedro de Oliveira Rodrigues
Elenco: Ana Caldas Araújo, Ana Moreno, André Júlio Teixeira, José Olivares e Sara Pinto Pereira
Design de Luz: Cárin Geada
Desenho de Som: André Rodrigues
Música ao Vivo: Evols
Execução de Guarda-Roupa: Mário Ribeiro e Alexandra
Produção Executiva: Alice Prata
Produção: Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura

Três celas:

1.  “Só consigo sentir o que também minha carne sente”. É mais ou menos o que diz o ator. Está paralisado, os movimentos mais básicos não são possíveis, não consegue sentir porque falta o movimento, não consegue organizar-se em um corpo estático, tudo que sente e pensa fica confuso.

2.“O corpo que se movimenta num código específico” a partir da luta da atriz com a gravidade. Levanta, cai, levanta, seu corpo não suporta os movimentos milimetricamente calculados do balé clássico. Desiste e joga-se em uma cadeira, como um fardo por não conseguir disciplinar os músculos e articulações à sua vontade de ser bailarina.

3. “Um só indivíduo, o Funcionário do Escritório”. A dualidade esquizofrênica de um ser: dois corpos/atores que tateam o limite entre o corpo do funcionário e o espaço do escritório.

Cela Corbusier expande as concepções de corpo e espaço a partir dos movimentos ou até  mesmo da imobilidade. A dialética (inventada) entre corpo e espaço e a metáfora da fronteira fixa que limita um e o outro.  A experiência do espetáculo trouxe novamente duas questões que me acompanham desde o início da pesquisa: o que pode um corpo no espaço? O que pode o espaço em determinado corpo?

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Tetis 7: Citty maquette: o diálogo dos corpos em movimentos

por Camila

maqueta |ê ou é|
(francês maquette, primeiro esboço)

s. f.

1. Pequeno esboço de obra de escultura modelado em barro ou em cera.
2. Modelo reduzido de um cenário ou de um edifício.

Fonte: <http://www.priberam.pt/&gt;

Quando modelizamos uma maqueta/maquete tradicional a visualidade é o elemento que guia nossas ações para representar um determinado espaço.
Uma representação inerte em sua materialidade fixa diretamente associada a idealização do espaço como conceito apenas, excluindo toda e qualquer experiencia multisensorial.
A performance da coreógrafa francesa Mathilde Monnier – realizada em Guimarães com a participação de 80 vimanarenses – desafiou o conceito de representação de através de uma maqueta/maquete que apresentou a cidade a partir de seus corpos; propôs “um diálogo  entre gerações, originando um território coreográfico que cruza os potenciais imaginários dos participantes num processo coletivo de repensar, mapear e projectar a cidade”.
Citty Maquette, rompe com discurso da cidade como materialidade e do urbano como mera produção econômica. Estabeleceu um diálogo através da diferença – seja de idade, gênero, etnia, anatomia, vestuário, etc –  a partir dos movimentos que incorporaram uma maquete/maqueta viva de Guimarães.  Além de atividades cotidianas, artísticas e desportivas, os corpos também traziam sonhos, inquietações e sensibilidades.


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Tetis 6: Em quarta dimensão, do quarto à carta

De um dos professores que me ensinam a dialogar, li grandes imagens. Memórias do quase nada. E fui em busca de linhas que registrei na infância. Foram poucas, e a maioria de desabafo, desesperos abafados na experiência. Os registros da minha infância não são de muita poesia. Ao imaginar as palavras do professor, tão carregadas de experiência, compreendi melhor o papel da palavra em minha vida – especialmente na experiência de torná-las públicas na fatídica quarta série do ensino fundamental. De sufocá-las no medo registrado em diários. Territórios. De libertá-las no exercício poético em ambiente acadêmico. Ambiências.

A quarta dimensão é a do tempo, a dimensão do movimento, cujo registro só pode ser feito a partir do passado. Registro que é tempo parado de experiência passada. Importantes foram as experiências que vivi que me levaram ao registro. Este, no entanto, passou a ser representação da minha própria experiência. E tudo confundi. A incompreensão levou-me à fragmentação, à territorialização de minhas experiências.

As estórias que passei a escrever na infância não eram História. Em uma viagem escolar que as precedeu, era eu espontaneidade dramática, uma criança criativa. Inventava jogos, que, sem pretensão, envolvia os colegas. Eu era então um centro onde as brincadeiras orbitavam. Aquela felicidade, vivida no tempo, era um néctar divino. Mas o tempo, logo entendi, era fugaz, era mais do que isso, era instantâneo. Era um não-lugar que era todo-lugar.

Era experimento saboreado, e mortal. As estórias que passei a escrever, depois, não eram História. Mas passaram a representá-la; num disfarce, eu pretendia enganar os deuses e tornar aquele sabor imortal. Com as estórias, eu queria beber o néctar da imortalidade do ego: a segurança do elogio do outro. Os limites bem definidos, territórios de afeto. Seriam meus colegas e minha professora a fonte divina. Minhas estórias, meu disfarce de divindade.

Por uma pequena ingenuidade da pueril escritora, as divindades perceberam meu embuste. A ficção brota da realidade, e para que esta não a ameaçasse, bastaria ficcioná-la. Assumir a representação. Mas eu queria a imortalidade real. E, assim, usei os nomes reais em estórias fictícias. Era eu a serpente mortal, o dragão que, ao entrar numa festa de seres divinos, buscava o reino imortal. Era eu infanta. Filha do rei, que também era eu, que não herdaria a coroa – minha cabeça, cortada, não lhe asseguraria assento. Minha garganta, por onde as estórias ganharam título de História, foi cortada pela professora. Histórias fatídicas. Ao beber daquele néctar, a esquizofrenia imortalizou-se em mim. Era eu Rahu, a cabeça nas alturas. E era eu também Ketu, o corpo que atingiu a terra e a fragmentou.

Passei a infância e o adolescer aspirando a biologia, a vida nos mares. Em algum lugar em mim, havia uma busca. Não eram os mares, mas as marés que me atraíam. Eram as marés que eu precisava compreender. A dança entre corpo e cabeça. Sem muito pensar, fui geografia estudar. Ainda fragmentados, Rahu e Ketu viveram a graduação em crise. Geografia Humana e Geografia Física. E a busca continuava, não por um outro curso, pois este continuava a ser navegado. A busca era por sua fluidez, que encontrava barragens em sua fragmentação. Ora mente, ora corpo. Fragmentos.

Este texto é uma conversa com Camila. Uma conversa a três. Uma criação. A conexão entre singularidades, que cria. Ambiências. Ano do Dragão, conexão entre corpo e mente. Com Camila, percebi que minhas melhores palavras foram escritas em cartas. As melhores palavras eram, em si, experiência. Camila foi a amiga adulta que compartilhou o gosto pela palavra experenciada desde a infância: a carta. Agora compreendo que fiquei com as piores palavras, os desabafos nos diários, e cultivei as melhores em cartas semeadas para amigos. Uma forma de publicar, privadamente, as palavras. Foi esta amiga, Camila, quem percebeu primeiro: meu gosto pelo quase nada era grande. A poesia não estava, fico feliz em saber, ausente.

Na busca pelo maestria de mim, cursei o mestrado de garganta cortada. As palavras não passavam de cortes. A culpa vinha da inconsciência da fragmentação. Após quatro anos, terminei a escrita dissertativa. De novo o quatro, a quarta dimensão. A expressão do movimento. A expressão do trabalho. Da conexão entre o privado, do quarto, e o público – através do quatro. O quarto que se tornou quatro através da arte, da criatividade, o três. A experiência, que surgia bienalmente na cidade, que vivi ao findar o quarto ano da pós-graduação. A experiência expositiva de cartas. As pinturas aeropostais que, cartas desdobradas, viraram jogo real. Castelo de príncipes e princesas sem coroas e muitas gargantas em conexão de palavras.

Uma conversa a quatro. Em quarta dimensão – mutante, fluida -, do quarto à carta, a experiência do vínculo. O orientador na maestria, professor, ensinou-me através da experiência do vínculo. Ironicamente, de suas ideias vinculares havia pouco registro.

Daquele momento público, não tenho muitos registros. Se todos viviam a experiência, sua limitação – o registro, a representação – não ganhava energia. Por isso foi tão energizante a experiência. A partir de uma carta, a dissertação, uma conversa a muitos. Os professores, os amigos, a família. Os vínculos. Por isso aquele espaço era ambiência, e não território. Os protocolos foram esquecidos, a criatividade estava aquecida. Não era uma defesa de mestrado, era uma roda de chimarrão – a serpente integral, conectiva, através do que flui pela garganta e aquece o corpo.

Adoeci ao tentar prender a arte naquele quarto ano do ensino fundamental. Voltei à vida naquele quarto ano do ensino pós-graduado, sem pretensões imortais. Era mais, era uma carta àqueles com quem eu não conseguia me comunicar. Na infância, a escrita foi uma tentativa de privatizar o público, a experiência vivida coletivamente a partir da minha espontânea criatividade. Uma prisão. A publicação do privado no texto em vida adulta foi um desprendimento das dificuldades encontradas, um assumir da mortalidade. Um convite.

E um dos professores que me ensinaram a dialogar a partir do convite conciliou Rahu e Ketu em mim: “uma artista, que é isso que tu és”. Mas não foi ali que esta conciliação foi feita, naquela roda. Ela foi feita hoje, ao conciliar o professor que eu conheci com o artista que convivi através de suas palavras. Geopoéticas dialógicas. Tão grande quase nada.

(ASM)

Tetis 5: A insustentável leveza do gesto

por Camila

[…] cada entendimento que nós podemos ter do mundo, nós mesmos e os outros podem somente ser moldados em termos de conceitos formados por nossos corpos […].

George Lakoff e Mark Johnson

Gesto.

1. Movimento voluntário ou involuntário.

2. Coreografado diante do espelho ou espelhado no gesto no outro.

Aprendemos a reconhecer o alfabeto, a agrupar sílabas e compor palavras, mas, ainda não conseguimos ler no outro o que ultrapassa a escrita e até mesmo a oralidade. Estamos pouco habituados a ler expressões, a corporificar nossos diálogos, a ler nas entrelinhas de um gesto não realizado.

A decodificação do gesto é uma ação delicada que requer cuidado.  Entre o gesto (intencional ou não) e o ato interpretativo há um hiato que permite significados múltiplos para o mesmo movimento – sua subjetividade possibilita interpretações impregnadas de dubiedade.

Ainda estamos presentes de corpo ausente…

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Texto de autoria de Camilíssima, originalmente publicado em http://corpografias.wordpress.com/2012/05/03/a-insustentavel-leveza-do-gesto/

Tetis 4: Se Jesus era educador com 12…

…por que razão, senão mercenária, um@ educador@ deveria (conseguir) educar com 25, mesmo 15 ou muitas vezes 40, pessoas por vez?!

Segundo ações dos governantes (e nossas, que as mantemos com poder), escola no Brasil está mais próxima de regime carcerário. Como neste, há superlotação e um intervalo reservado ao banho de sol. Professor no Brasil é pago, em verdade, para cumprir funções que estão entre as de Carcereiro e Agente de Segurança Penitenciária – sem os sê-los e, talvez por isso, com salários inferiores. A questão é que, sendo assim, na escola professor não consegue ser educador e estudante não consegue estudar. Mais do que desvio de função, é desvio de forma. Fratura ética.

Os trabalhadores em escola (equipes de educadores&educandos, manutenção, alimentação) precisam conviver com o paradoxo do controle versus saber. Um não ocorre em concomitância ao outro:

Em uma reação similar à das células, os seres humanos também restringem seu comportamento de crescimento quando adotam o comportamento de proteção. […] A redistribuição das reservas de energia para a reação de proteção invariavelmente resulta na redução de crescimento.

In: Bruce Lipton, A biologia da crença (2007, Petit Ed., p.174)

Escola vivida para práticas territoriais impede o crescimento do ser. Para o que vivo em sala de aula, com relatos dos próprios estudantes (“[…] tem gente demais aqui”), Fernanda e Camila me apresentaram uma alternativa em prática:

Educar é mais do que preparar alunos para fazer exames, mais do que fazer decorar a tabuada, mais do que saber papaguear ou aplicar fórmulas matemáticas. É ajudar as crianças a entender o mundo, a realizarem-se como pessoas, muito para além do tempo da escolarização.

In: Projecto Educativo “Fazer a Ponte

Mais do que escolas virarem penitenciárias, presídios deveriam virar espaços educativos.

Não somos números, somos gente. Somos todos agentes de saber. E sabor.

(ASM)

Tetis 3: Geopoéticas dialógicas ou tête-a-tête com Ana

por Camila

 

Fui em busca da geografia para me encontrar no mundo, mas só a encontrei quando fui em busca de mim e me descobri enquanto corpo. Um corpo, que sente, fala e pensa e que está além de qualquer representação.

Durante este caminho encontrei pessoas especiais e algumas até hoje fazem parte de minha vida, como a  Ana.  Uma amiga-irmã que me incialmente me convidou, de modo tímido, a vivenciar a poética do espaço – eu que me orgulhava de minha objetividade cartesiana, que me trazia segurança, mas pouco encantamento – através de uma amizade que ao longo de onze anos foi tornando-se mais delicada e ousada.

Geografia é antes de tudo experiência que gera vínculo. Tive que me distanciar para perceber o quanto fazia parte.

“sou um pé de vento contido
procurando a rosa dos ventos
que todos trazemos na alma

Mafalda Arnauth

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Texto e fotografias de autoria de Camilíssima, originalmente publicado em http://corpografias.wordpress.com/2012/04/23/geopoeticas-dialogicas-ou-tete-a-tete-com-ana/

Tetis 0: geopoéticas dialógicas

Não sendo números, mas ângulos preenchidos, é até natural que, aqui, o zero (palavra) venha depois do 2 (duas unidades) ^^. É que as conversas, o tête-a-tête, com Camila são cada vez mais singulares. Singularidade enquanto o que conecta o infinito de fora e o infinito de dentro. O zero. A esfera.

Tetis é filha do Céu e da Terra, mãe dos rios e oceanos. As marés são danças entre a Lua e a Terra. A água é o tête-a-tête entre infinitos. Em grego, Tetis significa “ama, nutriz”.

Camila e eu só sabíamos que nossos diálogos nos nutrem, porque fluem. Tetis já era nossa musa, descobrimos depois. Foi Camila quem me alertou que a geografia corre como rio nas veias, é seiva, que independe do curso de graduação (ainda que este auxilie bastante em seu despertar).

Tetis, Tetris. Em russo, “quatro”. Jogos, Diálogos, Conexões a quatro mãos.

Aqui é nossa sala. Estamos sentadas entre um dos filhos de Tetis, o Atlântico, que, por curiosa sincronia, tem seu nome derivado de Atlas.

Geopoéticas dialógicas.

Nelson Rego - Capiche a direção.
o mestre que ri e o mar de rio

(ASM)

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para mim e Camila, e para nosso mestre na arte de dialogar, Nelson Rego.

Tetis 2: marés

sete mares
corpos de água e terra
marés
dança da Terra e a Lua
mar, és
diálogos fluidos
pois
amar
é

(ASM)